Quando eu era pequena, o meu pai dizia-me que o medo era apenas um bichinho que existia na parte de trás da nossa cabeça, que eu nunca iria conseguir vê-lo. E sinceramente, aquilo era um pouco estranho para mim. Não foram poucas as vezes que imaginei um bichinho a viver na minha nuca. Coisas de criança, há que compreender. 
Mas agora sei o que ele queria dizer com aquilo. As situações hipotéticas que criamos na nossa cabeça, os “se’s” que teimamos em imaginar, as coisas que não aconteceram mas que nós achamos que um dia vão acontecer… Tudo fruto da nossa imaginação e do que criamos dentro da nossa cabeça. E é isso que alimenta o bichinho. São essas imagens que se infiltram na nossa cabeça e que tornam o bichinho cada vez maior. Mas se não as imaginarmos, o bicho provavelmente nem existe, nem nasce, quanto mais desenvolver-se. Não existe.
O problema, papá, é que eu sempre tive uma imaginação muito fértil…