Hoje falou-se de amizades perdidas. Daquelas que perdemos por motivos tão estúpidos que chegamos ao ridículo de fazer de conta que não conhecemos a outra pessoa. Eu vivi com isto nos últimos três anos. Uma das pessoas mais especiais que tinha comigo, isolou-se um pouco quando surgiu um novo namorado. As prioridades alteraram-se, os momentos para cada coisa começaram a ficar pouco definidos, a atenção e dedicação à amizade desapareceu. Deu-se uma e duas oportunidades. À terceira, já só lá ia quem queria. E eu não quis ir mais. O destino quis que ambas acabássemos a estudar na mesma faculdade e foram três anos a fazer de conta que não nos víamos, a desviar o olhar quando a outra passava e umas tantas situações assim que só têm muita estupidez. 
Um simples gesto mudou tudo. Afinal de contas, quando damos a mão à palmatória é porque entendemos o que de mal fizemos e porque estamos dispostos a mudar. E eu dou uma terceira oportunidade por isso. Hoje orgulho-me de voltar a ter-te a meu lado e de sentir que a nossa cumplicidade se mantém. Se seremos amigas indispensáveis como um dia o fomos? O futuro o dirá. Mas fico com um sorriso enorme na cara ao saber que a nossa amizade não é mais uma causa perdida… 
Há que lutar. As amizades não se constroem em cima do joelho, com riscos e rabiscos feitos à pressa. É preciso alimentar e é preciso dar para receber de volta. Ver o outro com os olhos do coração, sem julgar e dando a ver que nós somos aquela rede de segurança sempre presente. Como diz o meu John Mayer, é aquele “i got your back” love. Só assim se mantém alguém do nosso lado. Não há cá adubos nem fertilizantes. Isso funciona para as amizades do momento… Para aquelas que queremos que durem para a vida, bastam pequenos detalhes que nos fazem perceber que é a sério e que vale a pena. 
Quem é que não levou já um grande pontapé no rabiosque por causa disto das amizades? Faz parte. Mas por isso mesmo é que hoje faço de tudo para cultivar as amizades. Sejam estas que estiveram a hibernar durante uns tempos ou aquelas que aparecem de repente e se tornam tão importantes. E podem até nem ser muitas. Posso até nem conhecer meio mundo. Mas o meu pequeno mundo vale muito mais a pena.