Não sei se o meu pai aprova ou não as minhas tatuagens… O certo é que, na maioria, são para ele. No fundo, só a mais recente é que é minha. Todas as outras têm algo que lhe pertence. E é uma das coisas que tinha mesmo de fazer before i die – tatuar para o meu pai. Mas não é por aí que eu quero levar este post. 
Ontem, numa aula à noite, falava-se da agressão nas escolas. Lá pelo meio surgiu a auto-mutilação que, além de ser patológico, é considerada uma forma de agressão a si mesmo. Falava-se de cortes de pele, de overdoses e de coisas deste género. 
Até que uma senhora resolveu dar a sua opinião. Ela própria fez questão de começar o seu discurso a dizer “Podia guardar isto para mim, porque vocês sabem que eu sou mais velha que vocês, mas por muito que as opiniões sejam diferentes, eu tenho de partilhar isto”. Primeiro, deixem que vos diga que concordo com ela num ponto: as opiniões são livres de serem expressadas. É verdade… Mas a dela, é no mínimo absurda ao afirmar que as tatuagens são algo patológico. Ora, para a senhora, a dor provocada pela agulha dos piercings ou das tatuagens é algo que só pode ser auto-mutilação, porque, no seu ver, ninguém faz isto por prazer, ninguém se pinta ou fura, como ela diz, porque gosta. A única justificação seria sofrer desta patologia e agredir-se a si próprio por cada tatuagem ou piercing que tem. 
É óbvio que se falou do quão feio acha um corpo tatuado, do ridículo de ter alargadores ou piercings até dizer chega… Mas não obteve resposta do resto da turma. Da minha parte, não foi por falta de vontade… Foi por falta de paciência para a tacanhez – sim, porque isto é ser-se tacanho! 
Já tive cinco piercings, já passei pela agulha da máquina da tinta quatro vezes e os meus furos já vão com 10 mm. Na perspectiva da senhora, eu só posso sofrer desta patologia. Nunca poderia ser por gosto próprio, porque isso parece-me estar fora da equação. E eu, na perspectiva dele, nem sou das piores, porque “aqueles que se pintam da cabeça aos pés, só podem ser maluquinhos”.
Eu sei que a idade é outra e que as gerações são outras. Mas também sei que nem toda gente de gerações mais antigas têm o mesmo pensamento. O que me faz confusão é a mente fechada que as pessoas têm e o quanto custa expandi-las um bocadinho, abrir horizontes e ver para lá das talas de burro que têm em frente aos olhos. Será que é assim tão complicado tentar entender os outros, sem os julgar? Pegando no tão conhecido anúncio da Dermablend com o Rick Genest, custa julgar o livro além da capa? Tudo seria tão mais fácil se os julgamentos fossem deixados de lado… Mas já dizia o Pac dos Da Weasel que “tacanhez, essa há-de ser eterna!”.