O post hoje não é animador e não é nada saudável de se ler… Por isso, ficam desde já avisados.
Finalmente entreguei o primeiro relatório de estágio. A custo, mas está entregue. As dores nas costas voltaram, bem como as noites mal dormidas, as preocupações em cumprir prazos e ter tudo perfeito, os dias passados com ar de zombie e até refeições mal tomadas – confesso que já não sei o que é um almoço/jantar decente. Ou seja, o esforço está a ser mais do que muito e tenho medo que tudo isto não compense. 
E porque é que me lembrei disto hoje…? No caminho para a faculdade cruzei-me com uma amiga minha. Daquelas que é das minhas amigas de sempre… Acompanhou-me do 5º ao 12º ano e, na maioria deles, partilhávamos a mesa nas salas de aulas. Ou seja, sempre foi das melhores amigas deste o básico até ao secundário. Volvidos 5 anos de faculdade, é certo que o tempo nos afastou… Deixámos de nos falar regularmente e é raro termos notícias uma da outra. Fazemos por estar juntas nos aniversários uma da outra e em ocasiões especiais, mas pouco mais do que isso. Mas hoje cruzamo-nos e as notícias, como já vem sendo habitual no nosso país, não eram as melhores. Ela acabou o curso em Julho e está prestes a arriscar futuro fora de Portugal. Estagiou no IPO durante um ano inteiro e até lhe disseram que se fosse há uns anos atrás, de certeza que ficava lá… Mas como as coisas estão, não podiam dar-se a esse “luxo”. Agora vai começar um curso de francês intensivo para arriscar a vida por França ou pela Bélgica. E está tão convicta desta decisão que até fiquei chocada quando mo disse… Já é um dado adquirido e já não há volta a dar. 
Ela é filha única e eu sei, melhor que ninguém, que os pais nunca lhe cortariam as asas neste aspecto. Mas também sei que lhe vai custar horrores deixar cá a família toda – que sempre foram unha com carne. Ou seja… É uma decisão que não foi, com toda a certeza, tomada de ânimo leve. E custa-me ver o quanto nos esforçamos e o quão dedicados somos para resumirmos tudo a uma frase: “já nada se consegue assim sem cunhas!”. E isto é tão verdade… Com o cansaço com que estou e sentindo que estou a dar muito mais de mim do que é suportável, isto deixou-me chocada. Não é uma realidade que me é desconhecida, de todo. Até porque é impossível sermos alheios a este tipo de situações que ocorrem todos os dias… Mas quando nos toca assim perto, parece que levamos um abanão daqueles fortes. Deixa-nos a pensar se tudo isto vale a pena. E confesso, com o ânimo com que estou nestes últimos dias, só é mesmo isso que penso… Será que todo este esforço vale a pena? Será que a recompensa virá…?