Foram muitas as vezes que quis escrever sobre este tema sem saber ao certo por onde começar. Não faltam os artigos de opinião, perdidos pela maquilhagem e pela moda, e este não seria o primeiro – nem o último – com um teor mais pessoal. Há anos que idealizo um Malmequer mais pessoal, mais meu, mas que tende em não sair para o papel. Com a virada dos dez anos, chegou a altura de mudar e pôr tudo isso em prática.

E porquê agora? Nos últimos tempos, várias têm sido as oportunidades para falar ou dar a minha opinião sobre a diferença aqui pelo mundo dos blogs. Não vale a pena bater na mesma tecla porque todos já sabemos que eu não sou – fisicamente – o estereótipo da blogger que se quer igual às modelos de revista. E com isso, com essa aceitação perante mim e quem me lê, percebi que são várias as pessoas desse lado que se identificam comigo e que, acima de tudo, conseguem tirar alguma inspiração do que eu partilho. Porque, acreditem ou não, as bloggers não têm a vida perfeita que idealizam. E receber uma mensagem a dizer que, de alguma forma, mudei a vida de alguém… não tem preço.

Tal como algumas de vocês se identificam porque também não vestem o 36, percebi aqui que também não estava sozinha numa outra luta: a da ansiedade. E está na hora de vos abrir a minha cabeça e falar um pouco mais disto.

Sim – eu sofro de ansiedade. É uma merda, custa dizê-lo em voz alta but there… i just said it. E todos os dias se torna um pouquinho mais fácil de o dizer. Sabem porquê? Porque não há mal nenhum em assumirmos o que faz parte de nós.

Podia contar-vos toda a história de como cheguei até aqui, mas é indiferente. Para o que quero partilhar convosco, é indiferente. Porque, independentemente do que deixámos para trás, cada vez mais somos atingidos por esta coisa chata… Diz-se ser a doença da minha geração – e será? E não falo dos ciúmes do namorado ou de ficar irritada quando ele não atende o telemóvel (como já me fizeram comparações às minhas crises). Não falo do nervoso que dá na barriga antes daquele primeiro date que só queremos é que corra bem. Nem sequer do tremer das pernas quando o boss nos chama à sala dele. Tudo isso é normal e até saudável – significa que as nossas emoções estão no sítio.

Mas, no limiar, falo do tremer incontrolável das mãos. Do chorar no chão da cozinha até ficar roxa e sem ar. Da dor no peito que se torna maior do que o meu metro e sessenta de altura. Da dormência dos braços pela força que faço ao cerrar os punhos. Da consciencialização de que não vou morrer disto enquanto, ao mesmo tempo, o coração não pára de acelerar e a respiração fica quase incontrolável. Dos olhos que se enchem de água e me turvam a visão, que bloqueiam o cérebro e me deixam num mundo paralelo. De não ouvir quem está à minha volta ao mesmo tempo que, lentamente, acabo por voltar à realidade. E de tudo o que me arrasta até aqui. De tudo o que eu tenho dentro da minha cabeça que me leva até estes momentos incontroláveis onde apenas me resta… esperar que passe.

É claro que tudo isto é levado a um extremo, aos ataques de pânico onde deixo que a ansiedade domine demasiado o meu corpo e a minha mente. Não vos digo que vivo numa constante de pânico – conto pelos dedos de uma mão as vezes que estive assim. Mas no dia-a-dia, a ansiedade por si só vive comigo e está aqui constantemente a lembrar-me da sua existência. E é fácil de perceber quando tremo nos dias em que durmo pouco, quando estou demasiado cansada e o corpo parece não desligar e adormecer, quando no próprio dia-a-dia tenho que criar mecanismos para me controlar porque, quando dou por mim, já tenho a mente em sítios onde não deveria estar.

Infelizmente, é muito fácil chegarmos aqui. Ou porque andamos cheias de trabalho e mal temos tempo para parar e pensar no nosso bem estar e na nossa saúde mental; ou porque estamos em processo de mudanças e é aterrorizador; ou porque priorizamos os outros e deixamo-nos para segundo plano; ou mesmo até porque estamos tão entranhadas neste espírito de FOMO (fear of missing out) que já nem sabemos viver na calmaria. Por vezes, nem é necessário um evento marcante – basta um acumular que nos faz entrar numa espiral sem fim.

É uma merda. Uma valente merda. Mas com a qual eu aprendi a lidar. É um tema extenso e pesado, mas com o qual eu aprendi a lidar. Quero partilhar convosco as minhas alternativas, o que me acalma e o que me inspira. Mas, para já, quero apenas introduzir-vos o tema e, para quem passar pelo mesmo, dizer-vos que não estão sozinhas. <3