O post de hoje é-me bastante especial e já andava a ser estudado há algum tempo… Já várias pessoas me pediram ajudas e conselhos para começar neste mundo da Fotografia Analógica, e porque não juntar tudo num só post? 
Vai ser longo, confesso… Mas se me quiserem acompanhar, garanto-vos que partilho tudo o que sei desta paixão.

Uma das questões que mais recebo é: que máquina achas que devo comprar? Sou suspeita para falar – não tenho só uma e gosto de todas elas de formas diferentes. Fazem resultados diferentes e uso-as conforme a situação. E, por isso mesmo, depende o que quiserem fazer com ela
Para comprarem uma câmara primeiro devem pensar se querem algo novo ou em segunda mão. A forma mais rápida é entrarem no eBay e procurar, procurar, procurar… Encontrar a máquina que querem, com o negócio perfeito, mas sempre tendo em atenção se não há qualquer alerta por ser uma máquina usada. Senão, as lojas de artigos em segunda mão também são uma óptima opção. 
Para quem quer jogar pelo seguro e comprar uma câmara nova, a Lomografia é uma óptima forma de começar neste mundo. As máquinas são simples, fáceis de usar e o suficiente para incutir o bichinho do analógico. Neste caso, podem começar pelas mais simples como a Diana Mini (49,00€) ou a La Sardina (desde 59,00€). Se quiserem algo já mais complexto, a LC-A+ (250€) é uma óptima escolha! 
Quanto aos rolos fotográficos, há algumas coisas a saber. Na compra da máquina, se querem começar, aconselho-vos a comprarem uma que utilize filmes de 35mm. É o tipo de filme mais comum, mais fácil de encontrar e mais fácil de revelar. No entanto, também se podem aventurar nos filmes de 120mm.
Neste campo, aconselho-vos a comprarem filmes em conjuntos – nunca individualmente. Sai mais barato e há vários sítios que ainda os vendem em conjuntos de 3 ou 6 rolos. Mais uma vez, o eBay é uma óptima alternativa com conjuntos a preços bastante acessíveis. Aqui conseguem também encontrar rolos com validade expirada que, se forem bem conservados, conseguem produzir resultados óptimos. É sempre um tiro no escuro no resultado final, mas não é essa a magia do analógico?
Que rolos escolher? Irão reparar que estes tem a velocidade ou um valor de ISO – ou seja, a sensibilidade do rolo à luz. Dependendo do que querem fazer de fotografias, poderão utilizar um rolo com um ISO ajustado. Por norma, para uma sessão ao ar livre com luz do dia, um rolo de ISO 200 ou 400 é o ideal. De acordo com a necessidade, logo podem variar o tipo de rolos. Se a luz que tiverem não for a melhor ou se quiserem fotografar em ambientes mais escuros, maior deve ser o valor de ISO a usar, um ISO 800 por exemplo. Em dias de praia até podem arriscar e usar um ISO 100, que irá deixar a luz do dia fazer o trabalho por si só, com resultados fantásticos. 
Depois de terem feito alguns disparos, chega a hora da revelação. É certo que isto é um amor que não sai barato, mas tem as suas recompensas. 
Não são muitos os sítios que conheço que fazem boa revelações. Por ter usado muitos anos apenas máquinas e filmes de Lomografia, estragaram-me muitas fotografias naquelas lojas de centro comercial por acharem que estavam em más condições, quando, no fundo, era mesmo o que eu queria. Não digo que não usem as lojas de centro comercial, mas não são a minha primeira escolha…
Se quiserem um sítio bom, de confiança e que não é dos mais caros, recomendo-vos o Print Factory Lx, no Lx Factory. É o único sítio onde faço as minhas revelações e, até hoje, nunca tive uma queixa. Podem fazer revelações, impressões, digitalizações a cores ou preto e branco, em qualquer formato de filme. 
Revelar por casa é sempre mais complexo e envolve uma data de processos e químicos que nem eu domino. Mas haverá de chegar o dia em que também eu farei as minhas impressões a partir de casa!
A partir daqui, é pegar na câmara, andar sempre com ela e fotografar muito. É claro que os primeiros rolos não serão fabulosos mas é isso que se quer no inicio – conhecer a máquina, aprender a trabalhar com ela e valorizar cada disparo que façam. 
Para muitos acredito que é muito mais fácil tirar várias fotografias até que saia a perfeita. Apagar as 10 que não ficaram bem e ficar apenas com aquela em que saiu tudo direitinho. Eu prefiro trabalhar naquele disparo, esforçar-me por ser o resultado perfeito e valorizar mais a fotografia final. É esse o encanto do analógico aos meus olhos – o inesperado, o amor que se põe em cada foto e o esforço para que saia a melhor fotografia que já tirámos.  
Fotografar em filme é uma arte. Não há cá disparos automáticos nem programas pré estipulados na máquina que façam tudo por nós. É preciso esforço, dedicação e ter amor à fotografia. Além disso, permite-nos sempre ter o resultado final connosco e, daqui a uns anos, passar à família todas as recordações que fomos criando ao longo do tempo. 
Ou seja, no fundo, arrisquem. Comprem uma máquina, explorem-na, percebam como ela funciona e com que filmes gostam mais de trabalhar. A partir do momento em que surge aquele bichinho, já não querem mais nada.
Podem conhecer um pouquinho mais do meu trabalho analógico seguindo este link. Espero que gostem.