Regresso hoje ao trabalho e já sei que vou ouvir a questão habitual: “então, não foste à praia?”. Esta é uma pergunta que me assombra há anos e que me acompanhou durante todos os anos da escola… Regressar em setembro era sinal de ter de justificar que tinha ido à praia, mas que simplesmente não me exponho tanto ao sol, que não me bronzeio tanto, etc. Pior que tudo: era ter que arranjar formas de justificar questões que, na minha cabeça, eu nem entendia porque é que alguém se sentia no direito de o fazer. Ter que justificar porque é que o meu bronze não corresponde às expetativas de quem questiona.

E honestamente, ainda hoje em dia o sinto. Porque é que assumimos que ir de férias durante o verão significa automaticamente regressar ao dia a dia com um bronze invejável? E por muito que vivamos numa era em que a consciência com os cuidados de pele está mais alerta, continuamos a desejar a pele bronzeada ao fim daqueles quinze dias de férias — quase como se fosse o sinónimo de dias bem passados. E quase como se o oposto disso significasse umas férias aborrecidas. Quase como se as preocupações com o cuidado de pele ficassem totalmente ofuscadas por umas férias bem vividas — pelo menos aos olhos dos outros. 

Do meu bronze: sim, eu fui à praia estas férias! — Malmequer

Confesso: passei muitos anos a forçar o meu bronze. A aplicar after sun com algum tipo de bronzeador para ajudar a estimular o bronze. A tomar aquelas cápsulas ricas em mil e uma coisas para ver se a minha melanina de alguma forma ficaria mais ativa. Mas a certa altura deixei de me preocupar com isso e a amar o meu tom de pele como ele é, independentemente da estação do ano — com todo o cuidado que isso implica. Não digo que queira ter uma pele à la Dita Von Teese ou que queira ter um ar branquinho de porcelana. Até porque gosto daquele tom douradinho que a minha pele ganha com uns dias de sol. Mas não perco horas e horas debaixo do sol a torrar, até porque nem tenho paciência para isso. E confesso que me encolho sempre que sinto que tenho alguém à minha volta a viver para torrar ao sol — até porque os cuidados de pele vão tão além do bronze e da pele queimada. 

Agora, não pensem que sou um Edward Cullen que não pode sair à rua e apanhar sol. Eu também gosto dos meus dias de praia e de piscina — e de ficar com um tom de pele tipo um calamar. Não perco horas a fio a torrar (porque desculpem, mas não há pachorra!), mas também o faço. Só não o faço durante dias a fio e quando o faço, faço-o com os devidos cuidados. Cuidados esses que, na verdade, deviam ser comuns a qualquer um de nós. 

Do meu bronze: sim, eu fui à praia estas férias! — Malmequer

Nunca não usar SPF.

Sabiam que há estudos que indicam que apenas um minuto ao sol cria estragos na pele, mesmo que a nossa pele pareça incrível e sem qualquer indício? A nossa pele é a rainha a esconder qualquer falha ou inflamação e isso faz com que devamos ser incrivelmente cuidadosos com a proteção solar que lhe dedicamos. Portanto, saltar o passo do SPF até na rotina diária é uma enorme falha. 

E não perceber o que usar de proteção solar. 

Não basta apenas usar SPF — perceber que tipo de filtro solar estamos a usar é muito importante. Hoje em dia, a oferta já é mais do que muita e não há desculpa para não encontrarem o cuidado solar que mais se adequa à vossa pele. No final do dia, seja ela mais morena ou mais branquinha, é sempre importante que tenham atenção à proteção e que ela seja à prova de UVs (seja UVA que danificam ao nível do ADN ou UVB que queimam a pele), rica em antioxidantes e que funcione como a prevenção e nunca como a cura. 

O cuidado continua no pós praia. 

Ter um cuidado de pele continuado não é válido apenas para o rosto — e acreditem, escrevo isto para me mentalizar também a mim. É importante que o cuidado de corpo se estenda até depois da praia, com a esfoliação e a hidratação devida. Quer queiramos quer não, a pele exposta ao sol provavelmente estará de alguma forma agredida. E recuperá-la com uma boa hidratação é meio caminho andado para a manter saudável — de fora para dentro. 

Agora que vos passei as minhas dicas sobre os dias de sol e praia, vamos passar a perguntar como foram as férias e esquecer o tom da pele com que cada pessoa regressa? Afinal, o que importa mais: o tom bronzeado da pele ou o quão ricos foram os dias de descanso?