Foto: Camille Charrière

Sempre tive uns mixed feelings no que toca ao Dia da Mulher. Na minha cabeça, nunca fez grande sentido sermos homenageadas num dia específico. Tal como também nunca fez sentido eu pagar menos numa discoteca ou ter que ter um homem a abrir-me a porta. Ou receber menos do que os meus colegas ou até perceber que a minha mãe não poderia progredir mais na carreira pelo seu género.

Mas acho que com o passar do tempo, vim a perceber que essa minha dúvida do porquê sermos homenageadas, faz com que todo este dia faça sentido. No fundo, eu não percebia porque é que deveria ser distinguida de um homem. Tirando a questão genética e fisionómica, não percebia o que me diferenciava de um homem. Mas, com o passar do tempo, vim também a perceber que é essa diferença que faz com que este dia precise de existir.

Enquanto eu continuar a ser diferente de um homem, na mentalidade da sociedade, precisaremos sempre de um Dia da Mulher. Um dia que lute pela nossa igualdade, que lute contra a misoginia, que perceba que não somos mais nem menos do qualquer outra pessoa à face da terra. Que lute contra a discriminação sexual, contra as ideias de privilégio masculino, contra o rebaixar das mulheres, contra a violência sobre as mulheres e até contra a sua objetificação sexual.

Esqueçam as flores e os chocolates neste dia. O lavar a loiça ou ir buscar os miúdos ao colégio. E não digo isto apenas para os homens que me lêem – digo para as mulheres, que sei que são em maioria. Neste dia, mais do que nunca, tragam o feminismo para a rua. Vistam o orgulho de ser mulher. Partilhem com alguém as vossas ideias sobre o assunto. Se conseguirmos mudar uma mentalidade que seja, já é um dia melhor que o de ontem.

Para que um dia não seja necessário assinalarmos este dia, vivam este Dia da Mulher com toda a garra que vos é permitida. Mas vivam-no todos os dias, não só hoje. Porque o nosso direito à igualdade é para todos os dias. Não apenas para o dia 8 de março.

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