Muito inspirada nas partilhas da Catarina Mira, forcei-me a voltar aos livros. Toda a pressão do meu último ano (que já partilhei convosco por aqui) e a falta de tempo e disposição mental fez com que eu afastasse a leitura dos meus planos diários. Afinal, sentia-me tão cansada constantemente que tinha a mente totalmente indisponível para qualquer esforço extra — e eu acredito mesmo que é necessário estarmos no mood certo para nos dedicarmos a leitura de um livro, de uma história, de mais um conto. 

Mas agora que tudo está mais ou menos a organizar-se como eu quero, sinto que está na altura de recuperar alguns dos meus velhos bons hábitos onde incluo a leitura, sem qualquer sombra de dúvidas. Não quero estabelecer metas ou limites de livros por mês ou por ano — na minha partilha de leituras pelo Instagram, uma seguidora comentou algo que me marcou. Algo tipo: a leitura não tem que ser uma maratona. E é verdade — não temos que ler x livros em y tempo. Porque nem todos os livros são para ser lidos num instante e nem sempre nós estamos na disposição de ler num instante. 

E posto isto, estou feliz por regressar às leituras e vos trazer algum feedback do que li nos últimos meses. 

Livros: voltei à magia da leitura diária. — Malmequer

1.

Tudo o que sei sobre o amor, da Dolly Alderton

Foi o livro que me fez recomeçar a ler de forma rotineira. Senti que precisava de começar com algo leve, algo que me prendesse e que me fizesse querer continuar a ler… E ei-lo, o livro ideal para isso.

Se é uma obra prima? Não, não é. Mas é o livro que me fez relembrar como foi a minha adolescência, como foram os meus anos de faculdade, como foram as minhas relações, as minhas amizades, os meus excessos, etc. É quase uma conversa com aquela amiga que não vemos há imenso tempo e que nos faz viajar no tempo e perceber tudo o que já vivemos em tão pouco tempo de vida. 

É um livro bem levezinho, bem livro de verão, onde a Dolly nos conta como foi viver a sua adolescência ao lado da melhor amiga e de como o tempo fez com que percebesse o valor das suas relações. Como cresceu com o amor e as suas relações amorosas (furtivas e duradouras), como cresceu com a evolução das suas amigas e como chegou à mulher que é hoje em dia. Entendem agora porque é tão relatable? Até quando ela fala do MSN e da mania que tínhamos de sair e voltar a entrar na plataforma para que reparassem em nós. I mean… quem nunca? 

Livros: voltei à magia da leitura diária. — Malmequer

2.

Correios, do Charles Bukowski

Há anos que adiava a leitura de Bukowski. O Tomás (aquele que escreve maravilhosamente bem e cujos poemas eu vou partilhando pelo meu Instagram, sabem?) é totalmente apaixonado por tudo quanto é Bukowski e já mo recomendou vezes sem conta. E talvez por ter outros livros pendurados para ler, nunca olhei para ele nem lhe dei o devido valor.

Até ver este Correios na Feira do Livro. Pelo que percebi, querendo ler qualquer um dos livros do Bukowski, este não é o melhor dos exemplos. Não é um livro de poemas, mas é o seu primeiro romance e, pelo que muitos apregoam, a melhor forma de se começar nos livros do escritor. Relata a sua história enquanto funcionário dos Correios dos Estados Unidos ao longo de uma década da sua vida, com todas as vivências paralelas que vai tendo. 

To be honest, não amei. Mas não amei a história, o desenrolar e o tipo de pessoa que Bukowski era. A escrita é envolvente (de tal forma que não amei a história, mas li o livro num instante) o suficiente para querer dar uma segunda oportunidade — e segundo a Carolina, tenho que ler o Mulheres. Recomendam-me algo mais dele? Tenho tantas pessoas à minhas volta que gostam dele que sinto que tenho que lhe dar uma segunda oportunidade. 

Livros: voltei à magia da leitura diária. — Malmequer

3.

Histórias de Nova Iorque, do Enric González

Acompanhado por uma mensagem que dizia tudo o de mais certo sobre o meu amor pela cidade, este foi um dos meus presentes de aniversário deste ano. E afinal, se há livros que me conquistam pelo título, este podia muito bem ser um deles. 

O livro por si só não é um guia turístico da cidade, mas sim uma viagem à cidade de Nova Iorque. Uma viagem pelos olhos de Enric, que se muda para a cidade e que nos leva na sua viagem enquanto nos apresenta toda a cidade. A sua criação, o seu crescimento, o desenvolvimento dos mais diversos bairros, as famílias da máfia que existem desde o começo dos tempos, toda a questão urbanista e icónica da cidade… Um sem-fim de novo conhecimento sobre uma cidade que assombra qualquer um. 

Escusado será dizer que me fez (muito) querer regressar. Mas ainda bem que o regresso acontece em menos de um mês. Até já, minha querida Nova Iorque.

4.

Heartburn, da Nora Ephron

“É um dos meus livros favoritos dos últimos tempos. Começa por esse, por favor!” foi o que a Catarina me disse quando lhe contei que tinha comprado algumas das suas sugestões, graças ao #WhatMiraReads. E como bem mandada que sou, foi o que fiz. 

A Nora Ephron é a mente por trás do Sleepless in Seattle e do When Harry Met Sally — o amor incurável em forma de filmes. E o Heartburn é a forma perfeita de passar uma história de amor que terminou… mal. E sim, é possível escrever um romance sobre o termino de um casamento perfeito. Casamento entre o Mark e a Rachel, que termina quando ela está grávida de 7 meses e descobre que ele a está a trair há uns bons meses. O surreal deste livro é que dá para rir à gargalhada, dá para pensar e dá até para aprender — Rachel é uma escritora de livros de culinária e a Nora presenteou-nos com umas quantas receitas no decorrer do livro. 

Li-o em pouco menos de uma semana e confesso que foi uma leitura bem suave e bem proveitosa. Tinha saudades de ler em inglês e de ter um livro que, sem ser a maior obra prima, me deixasse tão embrenhada numa história. E este fê-lo, sem tirar nem pôr. 

Neste momento, estou de volta ao meu querido Haruki Murakami, com A Peregrinação do Rapaz Sem Cor e, como já esperava,  estou totalmente absorta no livro e sempre com vontade de voltar a pegar nele. O Murakami é um dos meus escritores favoritos e tinha algumas saudades de o ler… Na verdade, tinha saudades de ler. Só. Por si só. 

Decidirmos o que fazemos com as horas livres do nosso dia é algo essencial. E eu percebi que a hora que passava no sofá a fazer scroll no Instagram (ou até noutras apps que conheci com o tempo e que me fazem até ter vergonha de assumir *cof cof Tik Tok*) podia ser rentabilizada noutras coisas que realmente me enchem o coração e me acrescentam. Há uns dias ouvia um podcast que falava disso mesmo — de como tudo nas redes sociais está programado para que percamos tempo nelas, para que entremos naquele buraco negro onde até as sugestões do Explorar são talhadas para nós. E além disso, são continuas — já perceberam que quando vemos um vídeo nesse separador, ele termina para começar um outro imediatamente a seguir? Não nos dá tempo para parar, para sair da app, para que percebamos que estamos nesse buraco sem saída. 

E trocar estes pequenos momentos por coisas que nos são mais prazeirosas faz tanta diferença. Tanta, tanta. E que feliz que eu estou por voltar a ler e voltar às minhas pequenas rotinas. 

Partilhem comigo: que leituras são imperdíveis?

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