Há uns meses atrás partilhei um Instagram Story que me valeu uma resposta semelhante por parte de duas amigas. Partilhava que o despertador tinha tocado bem cedo, que já tinha passado a manhã a fotografar e que o plano seguinte seria editar as fotografias — mas que as minhas voltas tinham sido trocadas quando percebi que estava há 2 horas sentada no sofá a procrastinar, a sentir que estava a ter um ‘me time’ e culpada por isso.

E porque partilhei isto? Quase numa de me envergonhar a mim mesma e ganhar coragem para levantar o rabinho do sofá e me pôr a trabalhar. E acabou por ter o efeito contrário.

Me time: a importância de criar tempo para mim. — Malmequer

Tanto a Sofia como a Joana me mandaram mensagem a alertar-me do quão importante é o tempo de sofá — e acreditam que eu nunca tinha pensado nisso? A mesma Joana, há uns anos, questionou-me sobre que séries estava eu a ver na altura e cheguei à triste conclusão que foi a minha resposta: nenhuma. Eu estava a ver zero séries. E porquê? Porque achava que tempo sentada no sofá era tempo perdido. Tempo passado em frente ao computador sem trabalhar era tempo perdido. Tempo passado em frente à televisão sem estar a dividir a minha atenção com a escrita, com a edição de imagem, com a criação de conteúdo era… tempo perdido, exacto. Estava a ser demasiado exigente e tudo o que me rodeava fazia-me crer que não podia perder este tempo.

Talvez na altura não tivesse noção, mas este tempo perdido acaba por ser tempo (muito) bem gasto. A certa altura sentia-me quase culpada se não estivesse a procurar inspiração para a próxima fotografia no meu Instagram, se não estivesse a agendar três publicações aqui pelo blog no decorrer da próxima semana, se não estivesse a fotografar as novidades que tinham chegado cá a casa… Sem perceber que, tudo junto, isto me estava a deixar num estado mental que não é bom. Numa pressão excessiva pela constante produção que, no final do dia, se revela em algo sem alma. 

Me time: a importância de criar tempo para mim. — Malmequer

Acho que tudo isto junto — agora que me consigo distanciar e pensar sobre o assunto — me deu a necessidade de criar um ‘me time’, principalmente quando percebi que temos 24 horas num dia e que as aproveitamos muito mal. Ou seja, supostamente temos 8 horas para dormir, 8 horas para trabalhar e 8 horas para… nós. O que escolhemos fazer nessas 8 horas que sobram está quase que na nossa mão. É verdade que temos o caminho para o trabalho, o tempo para os amigos, para a família, etc. Mas também temos muito do tempo que desperdiçamos sem perceber bem porquê — e não falo naquele banho mais demorado ou naquela meia hora em que estamos a ler um livro. Falo mesmo do tempo que passamos a fazer scroll no telemóvel, sem qualquer fundamento. Que achamos que é o tempinho para mim, mas que, na verdade, é o tal tempinho que me faz sentir culpada por estar parada sem ser produtiva.


Cheguei a um ponto em que senti a necessidade de criar algo intermédio: criar um tempinho só para mim.

Mas que, de alguma forma, fosse produtivo — sem ser apenas ficar horas infinitas a mexer no telemóvel só para ver as férias das influenciadoras ou vídeos de gatinhos fofinhos (que também são importantes, mas em doses moderadas!). Até porque é fácil entrarmos neste loop de nada nas várias janelas temporais do nosso dia a dia. E percebi que organizar os meus dias pode ajudar-me muito nisso mesmo — a ter o meu tempinho, mas, ao mesmo tempo, a sentir que estou a ser produtiva. 

1.

As refeições.

No chegar a casa ao final do dia, poucos são os dias em que sinto que o sofá vale menos que a cozinha. Embora adore cozinhar, torna-se uma tarefa bem complicada depois de 8 horas de trabalho. E percebi que podia inverter a questão se, todos os domingos, dedicasse umas horinhas da minha tarde a cozinhar. Resultado: tenho refeições preparadas para toda a semana, numa tarefa que ao domingo à tarde me deixa bem satisfeita e evito ficar a procrastinar no sofá durante horas apenas porque estou a evitar uma tarefa que sei que tenho que fazer. 

2.

Esqueci o snooze do despertador.

Ok, tenho que assumir que perdi esta rotina nas últimas semanas. Mas como quero muito voltar a ela, escrevo-a aqui quase como uma promessa de a recuperar — até porque me tornei naquela pessoa que tem quatro alarmes seguidos para garantir que dorme mais 15 minutos, como se isso fizesse parte do meu me time.

Sejamos honestos: alguém descansa durante esses 15 minutos extra? Não, todos sabemos que não. E esses 15 minutos permitem que, quando me levanto, tenha mais tempo para preparar o meu pequeno-almoço e tomá-lo sentadinha à mesa. E neste tempo aproveito para ler, para ver um vídeo no YouTube ou até para (re)ver mais um episódio de Friends. 

3.

Passei a estabelecer objetivos razoáveis.

De nada me serve almejar ter um artigo por dia aqui pelo blog se isso me deixa exausta, se me consome e se faz com que o meu trabalho não seja o melhor. Não me serve de nada marcar jantares todas as noites na semana quando, depois, vou passar o fim-de-semana a queixar-me por ter a casa num pandemónio. Nem sequer ver a temporada inteira de Stranger Things numa noite quando, na manhã seguinte, irei estar a sentir-me um zombie. 

Seja o que for que escolha fazer para ocupar as minhas 8 horas de me time, perceber o que posso fazer é algo que me faz priorizar muito as minhas atividades — mas tendo consciência de que sou capaz de o fazer dentro do tempo a que me proponho a fazê-lo. Seja o que for.

4.

Mas também ter as recompensas devidas.

Percebi que é importante perceber onde estou a alocar o meu tempo e o que é que isso me trará de volta. E não me refiro apenas a pagamentos ao final do mês, mas mesmo a qualquer tipo de recompensas.

Há uns dias comentava com umas amigas que tinha visto um vídeo sem sentido na Internet (já nem me recordo sobre o quê) e uma delas perguntou-me porque é que eu perdia tempo do meu dia com isso, que não me acrescenta nada. E é verdade — posso perder horas no YouTube, mas estou a tirar algo daí? Dos longos minutos que passo no Instagram a fazer scroll? É importante percebermos se esse retorno será ou não assegurado — muito além do cansaço.

E escrevo-vos isto hoje numa de me motivar a voltar a entrar nesta rotina, a encontrar o meu me time mais do que necessário e, desta vez, a forçar-me a sair da procrastinação. A verdade é que, agora, habituei-me ao bem bom das séries e perdi a noção deste mediar de tempo. Mas hey! Nada que não se recupere, até porque assumir noção disso mesmo é o primeiro passo, e há novas rotinas que entraram na minha vida e que precisam do seu espaço — como as idas à BodyConcept ou a vontade de voltar ao ginásio. Hello tão merecido me time!

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Fotografias Márcia Soares

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