O meu amor ao analógico é muito antigo. Não me lembro qual a primeira máquina em que fotografei em analógico ou sequer o contexto em que o fiz… Mas, desde que me conheço como crescida, que me recordo de andar com uma das minhas máquinas fotográficas atrás – independentemente do momento. Lembro-me de comprar máquinas descartáveis apenas porque íamos de férias… Ou porque davam para fotografar debaixo de água!

Tenho fotografias intermináveis dos verões, dos festivais de música, dos passeios com os amigos e, especialmente, das viagens. E adoro perder horas sentada na beira da cama, com o cheiro das fotografias em papel e uma confusão de imagens à minha volta.

O amor de fotografar em analógico. - Malmequer

Com o passar dos anos – e sem vos conseguir explicar o porquê – passei a fotografar em analógico apenas quando viajo… Acumulei fotografias de Londres, Paris, Marraquexe, Bogotá e, claro, Nova Iorque. E são, sem dúvida, as minhas memórias favoritas de todas as minhas viagens.

Mas porque é que eu fotografo em analógico? Há uns dias comentava que dei uso a três filmes quando estive em Nova Iorque – o que ronda as 90 e tal fotografias. E um colega meu dizia que, na sua última viagem, gastou um três ou quatro cartões de muitos GBs de fotografias – para cima de umas 500, dizia ele. A verdade é que eu até o entendo – o imediato do digital, do ver o resultado, de corrigir no momento quando algo corre mal.

Então mas e o preparar da fotografia? O pensar no detalhe, no pormenor, na luz, no enquadramento? O cuidado ao fazer a fotografia e a ansiedade de ver o resultado e ter que esperar. É incrível o quão digitais nos tornámos e como nos esquecemos destas sensações que, a mim, são tão especiais. And don’t get me wrong, eu gosto de fotografar digital e de editar as fotografias à minha maneira. Mas nada bate o resultado final, cru. O grão, sem edição, sem repetições porque o cabelinho ficou fora do sítio.

É o olhar para a fotografia com uma visão diferente e um olhar diferente. E, inevitavelmente, até a minha forma de fotografar muda quando o que tenho na mão é uma máquina analógica.

Porquê é que vos estou a contar tudo isto? Porque vou tirar o pó às minhas babies e pô-las a uso. Já chega de estarem na prateleira e… há uma viagem a caminho! 🙂

O amor de fotografar em analógico. - Malmequer