Ontem aventurei-me na ida aos saldos. Queria um vestido específico e não o queria comprar online porque queria experimentá-lo. E aqui encontramos sempre muita confusão – e muito do que não queremos.

Na fila para pagar, deparo-me com uma conversa de duas amigas que me deixou – como sempre – desolada…
Amiga #1: “O macacão é o S mas tem que me servir… Não vou buscar o M! Olha aqueles calções de ganga, são giros!”
Amiga #2: “Sim, eu tenho. Mas é uma saia. Só que esse tamanho aí é tão grande que parecem uns calções! Isso é o quê, um L? Quem é que veste uma saia tão grande?”.

Eu. Eu visto uma saia L e, na verdade, não vejo o mal nisso. Nem compro roupa abaixo do meu tamanho porque não posso vestir um L. E se me sinto mal com o meu corpo? Sinto! E, por isso mesmo, inevitavelmente, saí da loja de olhos no chão e a pensar “porra, será que um L é assim um tamanho tão grande para uma saia?”. Não, não é. Tal como vestir o 40 não faz de nós gordas, como já vi outras bloggers a afirmarem por aí. 

Está mais do que na altura de deixarmos de ser tão críticas umas com as outras. Não é por vestir um S ou um 34 que faz de nós melhores pessoas, se depois criticamos e julgamos quem não consegue (ou não quer!) ser mais magra. Já chega de apregoarmos que a beleza está na magreza se abrimos a boca e achamos inadmissível que alguém tenha a coragem de usar uma saia L.

Eu ainda tenho um caminho longo pela frente e ainda há dias em que me deixo afectar por este tipo de comentários… Mas, vá lá girlsEstá na hora de sermos melhores umas com as outras. Apregoar o feminismo tem que vir de dentro – dentro da nossa comunidade feminina. Não vale querermos igualdade se nos tratamos tão mal.