Acho que isto do isolamento social nos deixou a todos com sede de consumir mais e produzir mais conteúdo. Não sei quanto a vocês, mas diz-se por aí que os números de consumo de media (tanto no telemóvel como na tv) aumentou exponencialmente. E a verdade é que, embora ainda esteja a trabalhar a partir de casa (com um horário das 9h30 às 18h30 igualmente denso de trabalho), sinto que também eu me encaixo nessa fatia que anda a queres consumir e produzir mais… Talvez por estarmos mais… isolados, lá está.

Mas onde quero eu chegar com isto? Aqui — ao Malmequer. À partilha por aqui que eu tanto gosto, mas que tanto me queixo de não ter tempo. E ao final de 10 dias de isolamento social, achei que estava na altura de partilhar o que já percebi que funciona numa situação destas. At least for me.

E atenção, não estou com isto a querer dizer que todos temos de aproveitar esta situação para sermos produtivos. Estamos a viver uma pandemia e isso é assustador por si só — quanto mais termos a exigência de sermos criativos e produtivos. Mas no meu caso, que continuo a ter de trabalhar, eu não tenho opção: tenho de ser produtiva. And that’s it.

Criar uma área de trabalho.  

Estou em teletrabalho há dez dias (onze, vá. Mas achei que assumir os 10 dias tinha mais impacto na mensagem a passar — é mais redondinho!) e percebi que os dias de hoje nos permitem que isto seja muito mais fácil do que pensávamos. Se é chato não estar com os colegas? Claro que é. E sinto que em nada compromete o meu trabalho — e que continuo a trabalhar as 8 horas por dia. Mas o facto de estar em minha casa, facilmente me fazia confundir as coisas e misturar as águas. E por isso, senti necessidade de criar uma área específica para trabalhar — onde não estou sentada ao sofá, onde não estou enrolada na manta, onde o comando da TV não está por perto. Onde continuo a manter as costas direitas enquanto estou sentada e a minha caneca de chá pronta a fazer um refill.

Mas não só: percebi que também é importante separar as horas de trabalho e, por isso, desligar do computador a seguir às 18h30. O que me leva a…

Respeitar horários.

Para começar a trabalhar, para almoçar, para voltar do almoço, para terminar o trabalho… Percebi que manter a rotina me dá uma sanidade que eu precisava para não procrastinar. O despertador continua a tocar à mesma hora para garantir que às 9h30 eu estou sentada com o e-mail aberto, de pequeno-almoço tomado e pronta a começar o meu dia.

Da mesma forma que às 13h00 fecho o computador para só lhe pegar novamente às 14h30. A importância de cozinhar o meu almoço, de me sentar ao pé da janela a absorver um pouquinho de vitamina D enquanto bebo o meu café, de limpar a cozinha e, de forma descansada, voltar à secretária para trabalhar até às 18h30. E se não há horas extra no escritório, em casa também não. E a ideia aqui é manter o máximo de normalidade possível.

E falando em normalidade…

Vestir e maquilhar-me.

Se é absurdo vestir-me e maquilhar-me como se fosse um dia normal? Talvez seja, mas desde que passei a fazê-lo, as diferenças no meu rendimento são abismais. Sair do mood pijama faz uma diferença imensa a arrumar a preguiça e a perceber que o dia realmente começou. Dá-me um boost de motivação enquanto me ajuda a ser mais produtiva.

E se no dia a dia aquele momento de manhã em que me maquilho é um dos meus momentos favoritos do dia, porque não continuar a fazê-lo, para bem da minha sanidade mental? Além de que tem uma vantagem muito grande quando falamos disto do Coronavirus: evita que estejamos constantemente a tocar na cara. Pelo menos a mim!

Agora, se me visto como se fosse sair? Nem sempre. Não estou a usar os meus vestidos favoritos nem estou super preocupada em fazer os melhores looks. Mas uso aquelas calças que há anos não saem do armário ou aquelas malhas que são super confortáveis, mas já estão feias para sair de casa. E também não me maquilho como se fosse precisar que a maquilhagem durasse 8 horas… Mas tenho aproveitado para usar produtos que estavam esquecidos no fundo da gaveta e que já nem me lembrava de gostar tanto deles. Portanto… um absurdo cheio de vantagens!

Passei a treinar.

Let’s be honest: treinava diariamente antes disto? Não. Na verdade, tinha apenas recomeçado a treinar a sério há umas semanas quando tudo isto rebentou… Parece até uma daquelas piadas de quem não quer treinar, mas não é.

Mas a verdade é que treinar em casa dá-me uma sanidade que eu precisava. Não vou mentir: estou verdadeiramente ansiosa e neste isolamento, metade dos meus dias foram miseráveis. E percebi que treinar é algo que me traz alguma paz por vários motivos. Porque durante aqueles minutos eu desligo totalmente e só sofro. Porque me cansa o suficiente para me deixar pronta para banho, sopa e cama. E porque, acima de tudo, me tira o peso da consciência do que ando a comer — só para perceberem que nem eu tenho a questão do corpo resolvida.

E como o tenho feito? De várias formas. Pelos diretos que andam pelos instagrams (Paulo Teixeira, Salgueiro, Mafalda Antunes, etc) ou pelos canais de YouTube que tenho descoberto pelo caminho (Yoga With Addriene, Pop Sugar Fitness). Se isto irá durar no pós-quarentena? Não sei. Mas se por agora funciona, é o que me interessa.

Estou a consumir muito mais conteúdo.

Embora continue no meu 9/5 job, a verdade é que estou a passar mais tempo em casa (lol no shit, Sherlock!) e isso dá-me mais tempo para ver e conhecer outras coisas. E sejamos honestos: não falta conteúdo a ser produzido, por aí. E eu nem me queixo. Há lives a todos os dias e a todas as horas, com todos os conteúdos que imaginaríamos possíveis, com todas as qualidades e pessoas. E isso é óptimo — nem que seja pela liberdade que nos dá de conhecermos e sabermos mais sobre vários temas.

Mas é claro, como tudo, há sempre quem se destaque e há sempre umas coisas que gostamos mais do que outras. E aqui, o que vos deixo são duas boas recomendações. Os lives do Bruno Nogueira têm sido, sem brincadeira, o ponto alto dos meus dias. São 2h em que me distraio, em que me rio para caraças e em que, de repente, parece que tudo voltou à normalidade.

E também a Claire Marshall — a minha queridinha do YouTube — tem feito lives com alguma regularidade apenas a mostrar o seu dia… A responder a questões, a fazer yoga, pilates… E parece nada, mas como é uma pessoa que produz conteúdo que eu já gosto habitualmente, fica fácil gostar deste tipo de conteúdo.  

Partilhem comigo: quais as vossas estratégias para lidar com isto de estar socialmente isolado? Não sentem que estamos a viver numa outra realidade, num filme de ficção científica onde nunca pensámos estar? E que, na verdade, estamos a fazer parte da história que os nossos filhos irão estudar daqui a uns anos… how crazy!

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E claro, as fotografias têm zero relação com o tema. Mas bare with me — nesta altura, há que reutilizar conteúdo e as fotografias até ficaram bem giras, graças à sempre incrível Márcia.