Nesta jornada da aceitação e da construção de um amor próprio mais estável, há uma ou duas imagens com as quais eu ainda não me consigo sentir a 100% confortável. Uma delas é estar de fato de banho ou biquini. Não me impeço de ir à praia mas não deixo de me sentir mais retraída quando sei que vou ter que estar quase despida perante uma data de pessoas no areal. 

Em boa verdade, 95% das pessoas que estão na praia estão a borrifar-se para os corpos alheios. Melhor: estão a borrifar-se para o nosso corpo. Não notam naquele pêlo encravado que ficou na virilha, nem naquele buraquinho de celulite que temos na coxa esquerda e muito menos nas estrias que temos no rabiosque, de tantas dietas que fizemos ao longo dos últimos anos. Não querem saber — e nós também não deveríamos. 

Eu sei: easier said than done. Eu sei, acreditem. E talvez por isso eu tenha automaticamente rejeitado o convite da Raquel quando ela me enviou a primeira mensagem. A Raquel está por trás da Captain Tom. É quem pensa a marca, quem desenha a roupa de praia e quem a costura. E quem decidiu que, este ano, todas as suas peças seriam representadas em três tamanhos: S, M e L — mas com modelos que vestem os três tamanhos. E foi esse o contexto da sua mensagem.

A Raquel queria que eu fosse a modelo do tamanho L da nova colecção da Captain Tom e, na minha cabeça, isso era inconcebível.

Partilhei a mensagem dela com algumas amigas numa de “Olha só o que esta miúda está a fazer, isto é incrível! Finalmente as marcas começam a abrir os olhos para isto e percebem que uma miúda que veste o L não se visualiza num corpo que mostra o biquini em S. Incrível — mas não para mim.” Estava decidida: não o ia fazer. Na minha cabeça, eu ia ser apenas o alvo da chacota ao pé de duas miúdas incríveis, ia notar-se à distância o quão desenquadrada eu estava e, além disso, os comentários… Porque as pessoas são más, sabem? E os comentários que hipoteticamente poderiam vir a ser feitos, estavam a dar cabo da minha cabeça. 

O tamanho L da Captain Tom. - Malmequer

Mas ei… Eu nem sequer tinha aceite e já estava incomodada com comentários que nem sequer iriam ser construídos? Porquê? Qual o sentido? Exato — porque tudo isto não passam dos macaquinhos que habitam na minha cabeça. Os medos que eu nunca irei ultrapassar se não pisar fora da minha zona de conforto.

E depois de horas à conversa com a Eduarda e da Raquel me deixar o mais confortável possível, acabei por dizer-lhe que sim. Sim, eu visto o tamanho L da Captain Tom — não só no Instagram mas também na praia.

E porquê? Porque parte deste caminho de amor próprio passa por isto mesmo, por procurarmos exemplos e modelos com os quais nos identificamos. Há uns tempos falava com uma amiga sobre isso mesmo — sobre o seguirmos (principalmente em redes sociais como o Instagram) aquelas miúdas com quem realmente nos identificamos e nos fazem sentir bem.

Se, ao aceitar este convite, eu conseguir fazer com que uma cliente Captain Tom que vista o L perceba como aquele fato-de-banho lhe assenta, sem criar a frustração do eu não visto um tamanho pequeno, então eu já cumpri a minha missão. 

Não digo com isto que foi fácil — não foi. Passei a semana anterior à sessão a pensar que tinha feito a maior asneira da vida ao aceitá-lo. Ansiosa como nunca, só me acalmava o facto de saber que seria a minha Márcia a fotografar. E claro, isso deu-me confiança para aceitar que as fotografias iriam ficar assim: lindinhas que só elas. 

Confiante ou não, com o corpo perfeito ou não (se é que isso sequer existe no meu conceber de tudo isto), apresento-vos um pouquinho do que é a colecção de verão da Captain Tom: com três miúdas diferentes, únicas e, if i do say so myself, lindas.

Por mais Captain Toms. Por mais Raquel’s alertas para a diversidade de corpos e de belezas. Por mais pessoas confiantes na sua pele. Seja ela qual for.