ansiedade-malmequer

Quando escrevi sobre a minha ansiedade, nunca pensei que pudesse receber tanto amor desse lado. Confesso que acabei o artigo com as mãos a tremer e sem saber, ao certo, se estava a tomar a decisão certa ao abrir o meu coração convosco. As dezenas de mensagens que recebi fizeram-me entender que sim, não podia estar mais correcta na decisão que tomei.

Parte-me o coração perceber que existe muita gente a partilhar esta maldita condição (não gosto de lhe chamar doença – acho demasiado fatídico), mas fico feliz por perceber que, cada vez mais, a saúde mental está a deixar de ser tabu e que já abrimos o jogo sem qualquer pudor. E por isso, muitas palmas a todos vocês que partilharam comigo as vossas histórias. Como me disse e repeti: we can do this.

Nesta fotografia, partilhei um dos meus truques para lidar com os dias mais chatos. Mas quero dar-vos ainda mais dicas bem simples que podem ser bem eficazes na hora de mandar a ansiedade dar uma curva. Mas * disclaimer alert! * embora a minha formação seja em Psicologia, eu quero alertar-vos que isto é o que funciona comigo. Não significa que seja clínico, que seja universal para toda gente ou que vá funcionar convosco. Mas it might help!

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#1. // A meditação.

Não só nos dias de ansiedade mas na minha rotina diária. Há coisa de um ano que tento meditar quase diariamente. E embora ainda não o consiga fazer sozinha – faço sempre meditação guiada com diferentes aplicações – tiro uns 5 ou 10 minutos só para mim. Mudo de roupa mal chego a casa, sento-me no chão do meu closet ou quarto e tapo-me com uma manta. Durante os minutos seguintes nada importa. A respiração fica controlada, as emoções ficam controladas e eu, dentro do possível, fico controlada. É o meu alinhar.

#2. // Adeus ao negativo.

Experimentem, durante uns dez minutos, excluir tudo o que seja negativo do vosso dia. Elogiem, aceitem, usem a palavra sim. Vistam aquela roupa que adoram, ouçam a música que vos faz abanar o rabiosque e digam às vossas pessoas o quanto as amam.

Eu sei que quando temos a mente inundada de negative thoughts isto pode não ser tão fácil. Mas incluam isto no vosso dia-a-dia para que, quando for necessário, seja mais fácil conseguirem implementar. E podem ser coisas bem pequenas e genéricas, mas fortes o suficiente para ter algum impacto na vossa mente.

#3. // Mas verbalizem.

Embora haja dias em que se sintam sozinhos, não estão – nunca. E há sempre alguém à nossa volta que está disposto a entender o que sentimos, a ouvir-nos e a estar presente. Falem, verbalizem, contem às vossas pessoas. Às vezes, só deixar sair aquilo que achamos que são os nossos problemas, já é o suficiente para aliviar aquele peso que sentimos sobre os ombros.

#4. // Criem técnicas de respiração.

Ao longo destes anos – e muito graças à meditação – percebi que nada me acalma tanto quanto controlar a minha respiração. Até nos momentos mais dramáticos e com as emoções mais à flor da pele, não há nada como tentar acalmar e pensar “hey, eu consigo respirar!”.

Se pesquisarem – até no YouTube – são várias as técnicas de respiração que vão encontrar. Para mim, a que resulta melhor é bem simples e conseguem fazê-lo em qualquer lado – chama-se Nadi Shodhan Pranayama e é uma técnica de respiração de Yoga. Respiram apenas pelo nariz e utilizam o polegar e o anelar para controlar a forma como o fazem. Utilizando a mão direita como exemplo, o polegar fecha a narina direita enquanto inspiram pela narina esquerda contando até cinco. O anelar vai fechar a narina esquerda e aguentam a respiração durante mais cinco segundos. Soltam o polegar e expiram pela narina direita, novamente durante cinco segundos. E vão repetindo alternando as narinas quantas vezes acharem necessárias – eu tendo sempre a repetir em múltiplos de cinco, durante o tempo que acho suficiente para me acalmar. E posso fazê-lo nos transportes, sentada à secretária ou até no wc quando quero estar mais resguardada.

O que é que isto faz? Vai equilibrar os vossos hemisférios cerebrais, criando uma sinergia entre o lado racional e o lado emocional.

#5. // Relaxem os músculos.

Isto parece ridículo, certo? Parece algo tão simples que nem sequer nos apercebemos que o fazemos no nosso dia-a-dia… Mas a verdade é que, nos dias em que a ansiedade está em altas, temos tendência para contrair demasiado os músculos. Cerramos os punhos, cruzamos demasiado as pernas, criamos nós nos ombros… E toda essa tensão é só mais um acumular nesta enorme bola de neve.

Respirem fundo, soltem os ombros e relaxem os músculos. Batam com os pés nos chão e sacudam as mãos, deixem que a energia vá passando por todo o corpo até que, eventualmente, vão realmente sentir-se mais leves.

Partilhem comigo, que técnicas usam quando os dias não estão a ser fáceis? Temos alguma em comum?


Mas o tema não fica por aqui. Tenho uma lista interminável de conteúdo que quero partilhar convosco. Quem me inspira neste assunto, como faço quando não consigo adormecer, que produtos uso como bengala para me relaxar (sem tocar em medicação!), etc etc. Tudo isto para que nunca se esqueçam: we can do this!