Tenho que me confessar: não sou a maior fã do verão. Nunca fui e dificilmente alguém me irá converter. Ter temperaturas acima dos 27ºC e aquele calor seco que não nos deixa sequer respirar em condições… é algo para me tirar do sério. E não pensem que amo a chuva, não é isso. Mas, para mim, o tempo ameno da primavera e do outono é o ideal para conseguir viver em paz.

Posto isto, adoro a liberdade que estes dias de verão nos dão. Os dias mais compridos, a maior disponibilidade da maioria das pessoas, o facto de andarmos todos mais bem dispostos… Acho que até temos todos mais vontade de fazer planos e aproveitar os dias — quase com se fosse um ganhar de forças para enfrentar os próximos meses. Sinto sempre que setembro é o mês do recomeço e estou pronta para o receber.

E aproveitei os últimos três meses? Hell yeah. Sinto que ainda vou viver muito nesta última fase de 2019 (quão estranho é dizer isto e pensar que estamos a um mês de entrar no último trimestre do ano?), mas até lá… olhem só o que andei a fazer em junho, julho e agosto.

1.

Fiz 30 anos.

E é verdade que falei deles até à exaustão. Continuo a ser a pessoa que adora fazer anos e que vive a ocasião como ela deve ser vivida. E devo chatear tanto as pessoas à minha volta que tinha uma surpresa à minha espera quando cheguei ao trabalho.

Sinto muito que os últimos anos da minha década dos vintes foram marcantes e de bastante crescimento. E não podia estar mais feliz por entrar nesta nova década no sítio onde estou — no sentido literal e no sentido figurativo. Há pormenores a mudar e a melhorar? Claro que sim — existirão sempre. Faz parte do crescimento.

2.

Voltei à leitura.

Quero escrever-vos mais sobre isto. Partilhar o que me fez afastar dos hábitos de leitura e quais os livros a que me dediquei nestes últimos meses. Mas confesso que nunca me soube tão bem voltar a ler como agora… Acordar ao sábado de manhã e só ligar a televisão ou pegar no computador depois de almoço é quase rejuvenescedor. Sentia verdadeiramente a falta de ter uma companhia na leitura e culpo a Catarina Mira por me ter posto a pensar nisto, nesta necessidade que eu nem tinha percebido que tinha aqui latente.

3.

Os concertos.

Voltei ao NOS Alive e tenho que dizer que foi das edições que menos me cativou… Embora tenha visto alguns concertos que vou levar para a vida — como Ornatos Violeta, Jorja Smith, Loyle Carner e Tash Sultana — reduzo a minha ida a apenas estes concertos. E é frustrante perceber que um festival de música se tornou apenas numa máquina de fazer dinheiro (para a organização) e num shit show para quem vai como consumidor. Don’t get me wrong, eu acho que há espaço para tudo e para toda gente, mas cansei-me um pouquinho de ser um show de vaidades, sabem? Eu sou fã da música muito antes de ser fã dos festivais. Os concertos, para mim, serão sempre pela música e só depois pelo mostrar seja a quem for. E sinto que o NOS Alive precisa muito de se reinventar e de deixar de ser aquele festival que está sempre lá por garantido… No entanto, se anseio por Da Weasel no próximo ano? Anseio, claro!

Setembro, sê bem vindo. — Malmequer

4.

A parada de orgulho LGBT.

Quero muito falar disto de forma mais exaustiva — talvez não seja para já, mas quero muito fazê-lo. Pela primeira vez, desci do Principe Real até ao Cais das Colunas para marchar (não gosto desta palavra, desculpem…) pela igualdade de direitos. Pelo amor, na verdade. Seja ele pelo mesmo género, pelo género oposto, por ambos ou por nenhum. Amor é amor — e mesmo que não façamos parte da comunidade LGBT porque não nos identificamos com nenhuma das letras que compõem a sigla, podemos ser aliados. E eu sou-o, com bastante orgulho. Porque acredito que a igualdade é algo super a tudo. E descer neste dia quente de junho deixou-me o coração super quente. Ver pessoas felizes, apaixonadas e que apenas querem ser livres — como qualquer um de nós.

5.

Vou voltar a Nova Iorque.

Planeei a viagem. Falei com amigas e marcámos tudo. Vou voltar à minha cidade já este mês e é quase como se fosse o meu presente de 30 anos para mim mesma. Chega com três meses de atraso, mas com o coração cheio de amor e feliz de partilhar com duas pessoas de quem eu gosto muito.
Sim, vou voltar a Nova Iorque. Podia ir a outra cidade do mundo? Podia, sim. Mas eu quero ir novamente a Nova Iorque — e irei regressar quantas vezes puder.

6.

Cuidar de mim.

Há uns tempos estava na minha massagem osteopática e tive uma espécie de epifania, onde percebi que já estava com trinta anos e que estava na altura de começar a pensar em mim. Curiosamente, surgiu na mesma altura um convite por parte da Body Concept para perceber como estava o meu sistema linfático e a saúde das minhas pernas. Quero escrever-vos sobre toda a minha experiência e inclusive contar-vos que voltei finalmente ao ginásio. Mas, para já, sinto que voltei a cuidar de mim. Que voltei a ter tempo (fisica e mentalmente) para me dispôr a olhar para mim e a cuidar do que eu sinto que não está em condições.
Estou demasiado sedentária, canso-me demasiado, perco demasiado tempo com coisas que não me acrescentam em nada… E se conseguir rentabilizá-lo em coisas que me fazer bem e que me fazem sentir melhor, assim seja. Estou a fazê-lo por mim, e para mim — seja isto o clichê que for.

O que ouvi.

Na onda dos festivais de verão, ouvi muita música boa, levezinha e daquelas que nos deixa de ânimo feliz. Ouvi muito Loyle Carner por causa do Alive e confesso que cada dia que o ouço gosto ainda mais dele. Mas não só — ouvi Billie Eilish (que irei ver já hoje na Altice Arena!), ouvi o meu saudoso Mac Miller, redescobri os incríveis Majid Jordan (uma dupla do Canadá que está sob a alçada do Drake), mas andei demasiado viciada em LANY. Acho que são uma das minhas bandas de 2019 e o último álbum vai acompanhar-me durante muito e muito tempo.

Mas fiz algumas (boas) descobertas: Tom Tripp, Kota The Friend, Snoh Aalegra e Dominic Fike. Ouçam tudinho que vale a pena. Ou sigam a minha playlist que está tudo por lá — aqui.

Onde fui.

Graças à viagem a Nova Iorque, fiz férias por cá durante o mês de agosto. Não fui para fora de Lisboa, mas aproveitei para passar tempo com a família, com amigos, para tratar de burocracias e coisinhas que estavam pendentes… E nunca me soube tão bem estar por Lisboa em agosto. Dei um saltinho à Ericeira, vários saltinhos a Sintra e à Costa.

E conheci quatro novos restaurantes: o The Mill na Ericeira, que é muito semelhante ao já incrível The Mill em Lisboa, o Big Fish Poke, o novo espaço de pokes muito bons no Cais do Sodré, o Seagull que é o novo (e delicioso!!!) spot para brunches, irmão do Heim Café e as pizzas da Aldeia da Praia, em Sintra, que são das melhores pizzas que algum dia comi. Só recomendações bem positivas, hein?

E o que vi.

Há todo um artigo por aqui a contar-vos as séries que vi nos últimos tempos e quais as que recomendo. Mas continuo na saga de This Is Us (na tentativa de acabar a terceira temporada antes que a quarta seja lançada) e de Jane The Virgin. E embora já tenha sido quase quase neste setembro, já devorei a terceira season the 13 Reasons Why e confesso que fiquei com bastantes questões!

Mas se há algo que eu recomendo que vejam é esta pequena novela que a Peggy Heart lançou — ou a Peggy Cozarón, neste caso. Está surreal de boa e confesso que adoro a casinha onde ela gravou este episódio (hihihi).

Setembro, sê bem vindo. — Malmequer

Podes vir, setembro. Vais ser incrível e eu estou tão preparada para ti.